Otites de repetição

otite-media-ilustracaoNão é incomum um otorrinolaringologista deparar-se com crianças apresentado quadro de otites de repetição, seja por procura espontânea dos pais ou encaminhadas pelo Pediatra. Normalmente todos acham que o ouvido tem alguma coisa errada que esteja provocando a infecção quando, na verdade, o foco dos problemas está nas vias aéreas.

Existe um pequeno canal chamado ´Tuba Auditiva´ ou ´Trompa de Eustáquio´, que comunica a cavidade nasal com o ouvido médio. Uma das funções deste canal, dentre outras, é propiciar uma adequada ventilação ao ouvido. Com essa informação, fica fácil imaginar que problemas não controlados nas vias aéreas superiores podem interferir no funcionamento da tuba, prejudicando a ventilação do ouvido e levando à recorrência de infecções.

É bastante comum após um quadro infeccioso a permanência de um pouco de secreção no ouvido médio que, se não tratada, age como um meio de cultura que facilita a instalação de bactérias e seu crescimento, ocasionando nova infecção.

O tratamento, portanto, não se resume simplesmente a antibióticos, deve-se lançar mão de uma gama de medicações coadjuvantes pensando em cortar o mal pela raiz.

Consulte sempre seu otorrino de confiança para essa avaliação.

A importância do aparelho auditivo

como-saber-se-precisa-usar-aparelho-auditivo2É normal, com a idade, que haja uma deterioração progressiva de nossas funções auditivas, algumas pessoas começam mais cedo, outras um pouco mais tarde, mas todas estão sujeitas a esse processo.

A recomendação médica é que, logo ao descobrir a perda auditiva, a pessoa dê início ao uso das próteses auditivas. É comum o paciente dizer “ah doutor, mas ainda é pouco, ainda está de um jeito que eu consigo levar”, e esse é o problema!

Existe uma situação chamada privação auditiva. O ouvido que já não ouve tão bem deixa de enviar informações para as vias auditivas centrais (sistema nervoso), com isso o problema deixa de ser apenas “não ouvir”, e a pessoa passa a ter dificuldades de compreensão das palavras. Quando se resolve fazer a protetização após um longo período de perda, provavelmente o benefício não será tão grande, pois sua capacidade de entendimento já foi prejudicada. Devido a isso é interessante que se inicie o processo de protetização o quanto antes, pois o resultado será bem melhor, proporcionando uma boa qualidade de vida ao paciente.

Outro fator a ser considerado é que a perda auditiva causa uma série de consequências, inclusive sociais. A pessoa que não ouve, por saber que não vai conseguir conversar adequadamente, começa a se afastar dos outros e deixa de socializar-se . Com o tempo, isso pode levar a um quadro de isolamento, depressão, e assim por diante. Já existe um estudo que mostra que colocando um aparelho auditivo quando surgem as primeiras dificuldades em ouvir e entender pode-se impedir o aparecimento de doenças como o Alzheimer.

Uma última orientação: o ideal é protetizar os dois ouvidos. A protetização unilateral pode fazer com que o ouvido não protetizado sofra o processo de privação auditiva. Além disso, melhora a localização da fonte sonora e o entendimento da fala em ambiente ruidoso, dentre outros.

Tontura

9317b4_342163109a2b46b69c973c2922cbceb9Um dos sintomas mais frequentes no consultório do otorrinolaringologista é a tontura, desde quadros agudos, de início recente e crises mais fortes, até quadros crônicos, com uma tontura mais antiga e mais leve.

Falando um pouco sobre as crises: frequentemente somos procurados por pacientes dizendo estar em crise de labirintite. Não estão errados, porém o mais importante nesses casos é tentar relacionar o início da crise com algum fator desencadeante. Em boa parte das vezes nós conseguimos estabelecer o que foi que causou a tontura. Normalmente a “doença” não está no labirinito, mas sim existe algum outro fator que o agrida e leve às tonturas.

Um dos grandes motivos percebidos em nossa prática clínica é a influência do fator emocional. Ao conversar com pacientes, descobrimos que os mesmos passaram algum stress emocional recente ou vem passando um período de preocupações, o que pode agredir o labirinto e desencadear tonturas.

Nesses casos, nós tratamos adequadamente a crise mas o paciente deve saber que, por mais que esteja medicado, se passar por algum stress novamente pode voltar a ter tontura.

Outras coisas que podem desencadear crises de tontura: picos de pressão arterial, descontrole da glicemia (diabéticos), abuso de alimentos irritantes (café, chocolate, chá, refrigerantes à base de cola, açúcar), traumas cranianos, etc…

Procure sempre seu médico para fazer o tratamento adequado e tentar descobrir os fatores desencadeantes!

O que é epistaxe?

9317b4_36c0bacdd76342e2a89fa85af4aa0aa3Epistaxe é o nome dado a qualquer tipo de perda de sangue pelo nariz, freqüentemente pelas narinas, ou através do nariz pela boca. Os tipos mais comuns de sagramento são:

1 – anterior (90% casos aproximadamente), ou seja, mais próximo da parte externa do nariz.
2 – posterior (10% casos aproximadamente), ou seja, mais no interior: menos comum, mas com efeitos mais graves.

Como acontece o sangramento?

A epistaxe ocorre quando pequenos vasos (veias ou artérias), que passam pela mucosa do nariz se rompem.

Quais são as causas do sangramento? Por que estes pequenos vasos rompem?

De uma forma geral, os vasos se tornam frágeis e mais susceptíveis à rotura por fatores locais, que podem ser identificados ao exame otorrinoloaringológico, ou por fatores sistêmicos:

– Uso de alguns medicamentos (ex: aspirina, varfarina, clopidogrel, desmopressina)
– Intoxicação alcoólica; Alergias; Alterações da coagulação do sangue; Problemas cardíacos; Tumores do sangue (leucemia); Hipertensão arterial; Doenças infecciosas
– Má-nutrição (especialmente anemia); Uso de narcóticos; Doenças vasculares.

O que fazer ?

Se você apresenta episódios frequentes de epistaxe, vale a pena procurar o otorrinoloaringologista antes mesmo de novo evento para descobrir a causa, esclarecer todas as dúvidas e iniciar o tratamento.

Se estiver apresentando um sangramento neste momento, inicialmente mantenha a clama, a maioria das epistaxes melhoram espontaneamente em alguns minutos e não necessitam de atendimento médico de urgência. Comprima a parte lateral do nariz contra o septo do lado afetado por alguns minutos, sente-se de forma ereta, não levante e nem abaixe a cabeça. Pode-se colocar um algodão embebido em solução vasoconstrictora (Afrin, Sorine…) dentro da narina e depois continuar a compressão por pelo menos 5 a 10 minutos. Após cessar o sangramento, não force parra assoar o nariz pois poderá provocar novo sangramento. Não introduza nada nas narinas. Não tente limpá-las com cotonete, dedo, pinças, lenços, papel higiênico. Use umidificadores ou toalhas molhadas para umidificar o ambiente.

Rinite e Sinusite

9317b4_84e84c4a493c45f797b6a3850e7ab86c“Doutor, minha sinusite está atacada!”

Frequentemente os otorrinos de deparam com esse tipo de queixa quando o paciente entra em seu consultório e, na grande maioria das vezes, há uma confusão entre duas doenças com mecanismos e tratamentos diferentes.

Normalmente, o paciente está se queixando de uma crise de rinite alérgica! O que quer dizer isso? É um processo que não depende da presença de vírus ou bactérias, está relacionado a mudanças climáticas, contato com substâncias agressoras como pó, poluição, pelos de animais, cheiros de produtos químicos (perfumes, produtos de limpeza…). Os sintomas predominantes são obstrução nasal, coriza clara, coceira, espirros. O paciente pode apresentar dor de cabeça, tosse seca ou com pouca secreção, pigarro. Neste caso, o tratamento visa o controle da alergia.

Existem os casos de “Rinossinusite Bacteriana” onde, como o próprio nome diz, há a presença de uma bactéria. Inicia-se com uma gripe ou rinite alérgica que não evolui bem e, depois de alguns dias, os sintomas pioram. Neste caso, a diferença básica é o tipo de secreção, que deixa de ser clara e passa a ser de uma coloração amarelada ou esverdeada e mais espessa. Neste caso sim são necessários os antibióticos em quase todas as vezes.

Muitos pacientes também acham esquisito quando o médico não pede para fazer uma radiografia. Na verdade, com um bom exame físico, o otorrinolaringologista pode verificar se o paciente está com uma sinusite ou não, a radiografia deixou de ser necessária em boa parte dos casos. Quando há a necessidade de algum exame, o ideal é uma tomografia computadorizada, que é mais detalhada e é útil para o médico investigar até possíveis complicações.
O importante, no final das contas, é deixar nomenclaturas de lado e procurar seu médico para saber se o problema é alérgico ou infeccioso; não vá achando que só o antibiótico resolverá, pois ele será dispensável em boa parte dos casos!